Por que controlar a formação de depósitos é mais eficiente do que simplesmente removê-los depois que o problema aparece
Em uma máquina de papel, os depósitos raramente surgem de forma repentina. Na maioria das vezes, o problema começa com pequenas quantidades de contaminantes que permanecem dispersos no processo, circulam pelo sistema e, sob determinadas condições, passam a se aglomerar e aderir às superfícies.
Pitch, stickies, hot-melts, parafinas e outros contaminantes podem estar presentes na matéria-prima ou ser introduzidos ao longo do processo. Em sistemas que utilizam fibras recicladas, por exemplo, adesivos e materiais de revestimento presentes nas aparas podem contribuir para a formação de contaminantes pegajosos. Ao mesmo tempo, o maior fechamento dos circuitos de água favorece o acúmulo de substâncias dissolvidas e coloidais, aumentando a complexidade do controle.
O problema é que esses contaminantes não precisam estar inicialmente visíveis para começar a afetar a operação.
Quando ocorre a desestabilização ou aglomeração dessas partículas, elas podem se depositar em telas, feltros, rolos, caixas de entrada e outras superfícies da máquina. Com a evolução do depósito, podem surgir alterações de permeabilidade, drenagem e transferência de massa, além de maior necessidade de intervenções de limpeza. Em situações mais severas, os depósitos podem contribuir para quebras de folha, defeitos no papel, redução da velocidade e paradas não programadas.
É por isso que controle de depósitos não deve ser confundido simplesmente com limpeza.
A limpeza atua sobre um depósito que já se formou. O controle químico, por outro lado, pode atuar anteriormente, interferindo nas propriedades e no comportamento do contaminante dentro do processo.
Dependendo da natureza do depósito e das características da máquina, diferentes mecanismos podem ser empregados. Dispersantesatuam na manutenção dos contaminantes em estado disperso, reduzindo sua tendência de aglomeração. Detackificantes modificam a característica superficial dos materiais pegajosos, reduzindo sua tendência de aderência às superfícies. Já os microfixadores podem promover a fixação de contaminantes finamente dispersos às fibras, reduzindo sua permanência na fase coloidal e sua disponibilidade para formar novos depósitos.
A literatura técnica mostra que diferentes mecanismos de controle podem apresentar desempenhos distintos conforme o tipo de pitch ou stickies e as condições do processo, reforçando a importância de selecionar a estratégia química de acordo com a origem e o comportamento do contaminante.
Da remoção ao controle
Essa mudança de abordagem é particularmente importante porque o depósito que aparece em uma tela, feltro ou rolo pode ser apenas a parte mais visível de um problema que está sendo construído ao longo do circuito.
Por isso, um programa eficiente deve considerar não apenas onde o depósito está, mas também de onde ele vem, como se comporta no processo e em que condições tende a se tornar depositável.
É nesse conceito que se insere a linha DISAWET, da Disamtex Chemicals & Additives.
A linha foi desenvolvida para atuar sobre diferentes mecanismos relacionados ao controle de contaminantes e depósitos na fabricação de papel, utilizando tecnologias de dispersão, detackificação e microfixação, além de soluções voltadas ao condicionamento e limpeza de superfícies do processo.
Mais do que simplesmente remover um depósito já formado, a proposta é trabalhar sobre o comportamento do contaminante, buscando reduzir sua tendência de aglomeração e deposição e, consequentemente, contribuir para maior estabilidade operacional.
Essa abordagem permite que o tratamento seja direcionado às características específicas de cada processo, considerando matéria-prima, circuito de água, tipo de contaminante, local de deposição e condições operacionais da máquina.
Porque, na fabricação de papel, o custo de um depósito não está apenas no produto utilizado para removê-lo. Está também na limpeza, no tempo de máquina perdido, nas intervenções, na redução de velocidade e, principalmente, no impacto que a instabilidade pode provocar sobre produtividade e qualidade.
Controlar depósitos é, portanto, muito mais do que manter a máquina limpa. É preservar as condições necessárias para que ela continue produzindo com estabilidade, eficiência e previsibilidade.
É com essa visão que a Disamtex desenvolve a linha DISAWET, oferecendo soluções químicas para o controle de contaminantes e depósitos e contribuindo para uma operação mais estável e eficiente na indústria de papel.
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ELABORAÇÃO TÉCNICA
Peter Evandro Haake
Engenheiro Químico | Papel & Celulose



